Pedro Hijo 1/30/2017

Óleo De Coco Faz Mal À Saúde? Entenda A Polêmica

Pedro Hijo 1/30/2017

Voltou a circular nas redes sociais um posicionamento sobre o óleo de coco da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Na nota, os grupos se posicionam conta o uso do produto para dietas de emagrecimento e o uso regular como óleo de cozinha. Eles afirmam que não há evidência de que o óleo de coco ajuda a perda de peso e que ele é rico em gorduras saturadas e pró-inflamatórias.

Então, é hora de jogar o óleo de coco fora?

O posicionamento da SBEM e ABESO não é solitário. Pelo contrário: o óleo de coco foi resgatado da lista de produtos não-saudáveis há poucos anos. Por muito tempo, ele foi tratado como vilão por especialistas de saúde e alguns deles permanecem com a mesma opinião. Nadando contra a maré, muitos profissionais são a favor do uso do óleo em dietas equilibradas e algumas universidades vêm comprovando benefícios do produto para a saúde.

Vamos por partes. Primeiro, alguns argumentos dos que são contra:

“...não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de coco leve à perda de peso (...) o óleo de coco pode ser deletério para os pacientes devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados, como ácido láurico e mirístico” (nota da SBEM e ABESO).

“Ele não traz nenhum benefício, pelo contrário. É rico em gordura saturada, aumenta o colesterol e a inflamação no tecido adiposo. Quem usa óleo de coco para emagrecer, na verdade está fazendo o contrário” (Ana Maria Lottenberg, nutricionista e doutora em ciência dos alimentos pela USP, em entrevista ao Bem Estar, da TV Globo)*

“Não existe comprovação científica de que o óleo de coco emagreça ou traga esses benefícios prometidos. Muito pelo contrário, ele nada mais é do que gordura saturada, que aumenta muito os níveis de colesterol ruim no organismo, provoca aumento do nível de triglicerídeos, sobrepeso e pode trazer problemas cardiovasculares e sobrecarga hepática a quem ingerir em altas quantidades” (Rosana Radominski, presidente do departamento de Obesidade da SBEM, em entrevista ao site Mulher)

Apesar de se contra, essas entidades e profissionais fazem ressalvas. Radominski, por exemplo, afirma que o óleo de coco pode ser bom para o tratamento de doenças, como alterações gastrointestinais. Ainda assim, eles defendem que é preferível o uso de outros óleos, como o de milho, de oliva e até o de canola, que vem sendo muito atacado por ser transgênico.

Agora, vamos aos que defendem os benefícios do óleo de coco extravirgem:

“Qualquer óleo, assim como qualquer comida consumida em excesso engorda e faz mal. Eu sou fã do óleo de coco pelas suas propriedades benéficas a saúde cardiovascular, neural, metabólica e imunológica. O óleo de coco já foi, e pelo visto ainda é crucificado por muitos profissionais da saúde pelo alto teor de gordura saturada que contém. Porém, é uma gordura saturada de ótima qualidade, rica em ácido láurico (excelente para o sistema imunológico com propriedades antivirais, antibióticas, e antifúngicas) e ácidos graxos de cadeia média (que ajudam na digestão e queima de gordura, na atividade do cérebro e a mudar o perfil do colesterol no sangue) (Bela Gil, culinarista e nutricionista pela pela Hunter College**, em sua página no Facebook)

O óleo de coco é um dos poucos alimentos que podem ser classificados como um "superalimento". Seus benefícios incluem perda de peso, melhor função cerebral, saúde da pele e muitos mais. (Kris Gunnars, médico responsável pelo site de nutrição mais acessado do mundo, Authority Nutrition)

Os dois fazem a ressalva de que o óleo de coco para consumo deve ser sempre o extravirgem e, mesmo assim, com moderação.

Neste vídeo, a culinarista dá sua opinião sobre o óleo de coco.

Algumas pesquisas acadêmicas também têm “ajudado” o óleo de coco:

Uma dieta com óleo de coco extravirgem aumenta o colesterol bom (HDL) e diminui a circunferência da cintura e a massa do corpo em pacientes com doença arterial coronária. (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)

Há um efeito benéfico do óleo de coco extravirgem na redução dos níveis lipídicos no soro e nos tecidos e na diminuição da oxidação de LDL. (Universidade de Kerala, Índia)

O consumo de ácidos graxos de cadeia média [que estão presentes no óleo de coco] como parte de uma dieta de emagrecimento melhora a perda de peso em comparação com o azeite de oliva. (Universidade de Columbia e Centro de Pesquisa sobre Obesidade de Nova York, Estados Unidos)

Uma a duas colheres de chá de alimentos riscos em ácidos graxos de cadeia média por dia aumenta o gasto energético em 5%. (Universidade de Genebra, Suiça)

Ácidos graxos de cadeia média interage com hormônios de regulação e metabolização de gorduras, o que aumenta a sensação de saciedade. (Mc Gill University, Canadá)

Apesar das pesquisas mostrarem muitos benefícios do óleo de coco, um dos principais pesquisadores da área, o chefe do departamento de nutrição da Harvard School of Public Health, Walter C. Willett, afirma que ainda não se sabe muito sobre o efeito do consumo dele em doenças cardíacas. Por isso, indica o uso moderado do produto.

O pesquisador e professor reconhece que o óleo de coco aumenta o colesterol bom (HDL), mas afirma que, provavelmente, ele não é a melhor escolha entre os óleos para reduzir o risco de doenças cardíacas. “Eu não acho que o óleo de coco é tão saudável quanto óleos vegetais como o óleo de oliva e o óleo de soja, que são principalmente gorduras insaturadas”.

À mesma conclusão chegaram pesquisadores que publicaram um estudo no Jornal Científico da Oxford University, no Reino Unido, no ano passado. Eles analisaram 21 trabalhos científicos sobre o tema e concluíram que, de acordo com as pesquisas analisadas, a substituição do óleo de coco por gorduras insaturadas ajudaria na redução de fatores de risco para doença cardiovascular.

Neste link aqui eu te mostro onde comprar o óleo de coco mais barato em Salvador

Mas o que podemos fazer diante disso?

Entre tantas opiniões e pesquisas, é fácil se perder mesmo. Então, o que sabemos é que há uma (quase) unânime opinião: o óleo de coco demanda moderação no consumo e ainda faltam pesquisas sobre os efeitos do produto. Vários profissionais e instituições estão realizando esses estudos, mas, até lá, é bom moderar mesmo!

O mais importante, no entanto, é lembrar que nenhum produto tem superpoderes. Se quer emagrecer ou ser saudável, busque uma alimentação equilibrada. Não tem atalho! O óleo de coco até pode fazer parte dessa dieta – e o ideal é buscar um médico ou nutricionista para definir a quantidade e com que frequência ele deve entrar nessa alimentação – mas se ele não for acompanhado de um estilo de vida saudável, provavelmente não trará grandes benefícios.

* A nutricionista foi acusada de ser parcial na entrevista por supostamente ser contratada por uma produtora de óleo de canola, a Cargill, mas ela rebateu dizendo que apenas escreveu textos como consultora para o site da empresa em 2010 e 2011. A Cargill também negou que ela fosse funcionária da empresa.

** O diploma da apresentadora do canal GNT ainda não é reconhecido no Brasil. Ela é formada em Culinária Natural pelo Natural Gourmet Institute e em Nutrição e Ciência dos Alimentos pela universidade americana Hunter College.